Transtorno de PICA, já ouviu falar?
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Transtorno de ruminação
Será que é possível engolir um alimento, regurgitar involuntariamente e sem seguida engolir de novo?
Meu nome é Natalia Belsuzarri. sou médica psiquiatra e hoje vamos falar sobre um transtorno alimentar pouco conhecido que é o Transtorno de Ruminação.
Quem tem essa condição, tem hábito de regurgitar uma parte do alimento mastigado, sem sentir náusea ou nojo, podendo cuspir esse alimento ou até mastigar e engolir novamente.
Se assemelha ao comportamento alimentar de animais ruminantes.
Para que seja caracterizado como transtorno, precisa ocorrer com frequência, várias vezes por semana, podendo ser diário.
Apesar de causar estranheza, esse problema existe e não tem relação com outras doenças clinicas como por exemplo o refluxo gastro intestinal, que é um problema gastrico frequente e popularmente conhecido.
A ruminação também pode ser confundida com a anorexia purgativa ou a bulimia. A diferença é que na ruminação, a regurgitação não tem propósito de perda ou controle de peso.
Se não tratada, pode gerar diversos problemas de saúde.
Isso acontece porque o alimento regurgitado volta do estômago com ácido gástrico, o que pode gerar problemas no esôfago até a boca como esofagite, mal hálito, úlceras e até mesmo cárie dentaria.
Mas por que as pessoas com regurgitação acabam engolindo novamente o alimento?
Esse não é um comportamento socialmente aceito, então na tentativa de disfarçar ou ocultá-lo, o ruminador pode acabar mastigando o alimento e engolindo novamente.
Também pode acontecer do ruminador restringir a quantidade de alimentos que consome, para evitar que outras pessoas a vejam regurgitar, e isso pode levar a emagrecimento e desnutrição.
Como comer na frente de outras pessoas é um desafio, é comum que a pessoa evite refeições em público, o que acaba sendo um problema psicossocial.
Como tratar o transtorno de ruminação?
O tratamento é personalizado, considerando as particularidades e as comorbidades de cada paciente.
Pode incluir o uso de medicamentos que diminuem a acidez estomacal, uma vez que a regurgitação frequente pode levar a complicações gastroesofágicas.
Em casos comórbidos de depressão e ansiedade , podem ser prescritos antidepressivos por um período específico.
Também é essencial o acompanhamento conjunto de nutricionistas, gastroenterologista, psiquiatras e psicólogos.
Além disso, a terapia cognitivo-comportamental é um dos manejos, ensinando ao paciente técnicas para gerenciar a regurgitação.
Um beijo, até a próxima.